INTERBRAS

domingo, 20 de maio de 2007

INTERBRAS



A AEPET recebeu um documento elaborado por colegas da INTERBRAS, subsidiária da Petrobras, extinta pelo governo Collor com graves prejuízos para o País, a PETROBRAS e seus acionistas. O documento foi entregue a várias autoridades pelo MOVIMENTO PRÓ-INTERBRAS, contando com o apoio do Movimento em defesa do Sistema PETROBRAS, de sindicatos e da AEPET. Pela sua importância, estamos reproduzindo o dossiê, na íntegra, nesta edição especial.


Diretoria da AEPET

Prezado(a )Senhor(a)


Estamos encaminhando em anexo, para seu conhecimento, o documento que diz respeito à extinção da INTERBRAS, a companhia de comércio exterior da PETROBRAS, no início do governo Collor.

Pretendemos, na exposição de argumentos e fatos contidos no documento, mostra a improbidade, o erro empresarial e, com certeza, as motivações escusas que levaram à liquidação de uma empresa lucrativa e extremamente importante para o País como instrumento de desenvolvimento.

Ele foi entregue à CPI do PP no Congresso, à Procuradoria Geral da República, ao Ministério das Minas e Energia e a outras autoridades do Governo Federal.

Acreditamos firmemente que esse documento - com a nossa denúncia - deve ser levado ao maior número possível de pessoas de expressão e representatividade no País, para que o assunto seja debatido e analisado.

O fechamento da INTERBRAS e a consequente demissão de seus empregados (916) agrediu os princípios democráticos básicos, principalmente os ideias de defesa do trabalho produtivo e útil ao País.

Atenciosamente,

MOVIMENTO PRÓ- INTERBRAS



O Desafio do Comércio Exterior



A extinção da Interbras acabou com maior instrumento nacional de ingresso no mercado externo.


Perdeu a iniciativa privada, perdeu a Petrobras, perdeu o Brasil.


Outubro de 1992
Dignidade e Credibilidade

Os empregados da Petrobras Comércio Internacional S.A - INTERBRAS lutam hoje para que lhes seja devolvida a dignidade e credibilidade profissional, pois o simples fato de terem trabalhado naquela empresa transformou-se em uma mácula em seus currículos.

Agora, defendem a restituição de seus empregos, na Petrobras ou subsidiárias, e a recuperação das perdas pecuniárias resultantes da demissão ilegal e por uma má causa: a entrega do fundo de comércio de uma empresa eficiente e lucrativa a grupos que - muito perto do governo - tinham por único objetivo a realização de operações comerciais lesivas aos interesses do País.

A cada dia que passa, ficam mais claras as motivações escusas que levaram ao desmantelamento da INTERBRAS.

Este documento pretende mostrar isso


INTRODUÇÃO

O INÍCIO DA INTERBRAS.

Com a crise mundial do petróleo, em 1973, as nações industrializadas tornaram extremamente agressiva a sua atuação no comércio internacional. Em termos de mercado, passou a ser cada vez mais difícil vender, acirrando-se a concorrência em torno das oportunidade de negócios. Muitos países ergueram barreiras protecionistas, dificultando o ingresso de inúmeros produtos.Os obstáculos criados às exportações, especialmente no tocante aos países em desenvolvimento, como no Brasil, provocaram uma incisiva reformulação de conceitos, de técnicas e de normas de atuação no comércio exterior. Todos, virtualmente sem exceção, fizeram do esforço de vendas e de abertura ou ampliação de mercados um instrumento primordial para o equilíbrio de seus balanços de pagamentos.

Logo se constatou que somente estruturas de comercialização ágeis e poderosas seriam capazes de operar a contento, em âmbito internacional, criando ou conquistando segmentos de mercados altamente competitivos ou de alto risco. O Brasil, como é óbvio, não escapou às implicações dessa realidade. A partir do agravamento da crise mundial, o País procurou fortalecer sua presença externa.

Era preciso contornar a escassez de divisas, principalmente face às dificuldades cambiais que o País enfrentava após o primeiro choque do petróleo na economia mundial. Em 1976, por exemplo, para uma exportação de US$ 10 bilhões, o Brasil importava cerca de US$ 12,3 bilhões. A conta petróleo alcança US$ 3,6 Bilhões....



Diante desse quadro, se fazia necessária a criação de uma "trading company" de porte e eficiência, que pudesse atuar no mercado internacional, a curto prazo, em condições de competir com os megaconglomerados e oligopólios estrangeiros que até hoje dominam o comércio exterior.




MISSÃO DA INTERBRAS


Foi por algumas razões, principalmente, que a PETROBRAS, uma das maiores compradoras independentes de petróleo do mundo - por isso dotada de grande poder de barganha - criou uma nova subsidiária: a INTERBRAS. Ela nascia para cumprir a missão e o objetivo de se articular com as empresa e entidades governamentais, abrindo um efetivo canal de comercialização para produtos primários, manufaturados e serviços de engenharia Brasileiros.

Ressalte-se ainda que a própria dimensão econômica e empresarial do sistema PETROBRAS por assim dizer avalizou a nova "trading". Uma empresa que surgia para atuar no mercado internacional, não como inicitiva isolada, de vigor limitado, mas como parte de um complexo empresarial já conhecido e respeitado fora do Brasil, que tinha a liderá-lo uma "holding" que figurava entre as 50 maiores de todo mundo.

Na verdade, a INTERBRAS nasceu da BRASPETRO. Quando esta subsidiária começou a operar no exterior, em 1972, nas atividades de prospecção e exploração de petróleo, logo passou a receber consultas sobre compras de produtos brasileiros. Em pouco tempo, o volume de operações ganhava vulto e também justificativa a criação de uma empresa especializada.

Criada em fevereiro de 1976, a INTERBRAS começou a operar efetivamente dois meses depois, em abril, e até o final daquele ano obtinha um volume de negócios da ordem de US$ 500 milhões, correspondendo mais de dois terços a exportações e o restante à revenda de produtos estrangeiros nos mercados externo e interno. No ano seguinte, o volume de negócios fechados somava pouco mais de US$ 1 bilhão (aumento de 100%) e o lucro líquido da empresa totalizava US$ 2,9 milhões.



Os resultados alcançados em pouco mais de um ano de atuação - período em que a INTERBRAS se tornou a mais importante "trading brasileira" - foram consequência direta de toda infra-estrutura operacional rapidamente montada. A empresa dispunha de escritórios no País e exterior, estrategicamente localizados, além de operar nas grandes bolsas internacionais de "commodities", situadas em Londres, Nova Iorque e Chicago. Nenhuma "trading" privada brasileira tinha condições na época, como não tem hoje, de montar uma rede tão completa de escritórios, representações e núcleos comerciais abrangendo a América do Norte, Europa, África e Ásia.

SOGOSHOSHA

Apoiada nessa pré-condições, a INTERBRAS teve com adotar uma filosofia pioneira de atuação. Procurou, por exemplo, maximinizar a abertura de novos mercados, bem como priorizar a comercialização de produtos não tradicionais na pauta de exportações do País.

Como fator de suporte à livre iniciativa, organizava a formação de "pools" nas áreas de produtos primários, manufaturados ou de serviços. Criava, dessa maneira, oportunidades para muitas empresas que dificilmente poderiam ingressar sozinhas no disputado comércio internacional - não possuíam estrutura nem respaldo financeiro para enfrentar a dura concorrência. Por outro lado, a INTERBRAS oferecia a essa organizações todo suporte de marketing e pesquisa para a adequação dos produtos às peculiaridade de cada mercado, quando necessário.

A INTERBRAS estava presente em mercados tanto tradicionais como não tradicionais para grande variedade de produtos e/ou serviços. Negociava com empresas estatais e multinacionais, companhias privadas e "tradings". Realizava sofisticadas operações "offshore" - entre terceiros países - no mercado importador e exportador.

Em sua rotina operacional a empresa financiava negociações. Fazia controle de qualidade dos produtos, na origem. Negociava fretes, seguros e supervisionava operações de embarque e desembarque, levando a mercadoria até o destino solicitado.

Mais ainda: seus negócios eram realizados nas modalidades C&F (custo e frete) e CIF ( custo, seguro e frete). Isto significava não apenas a venda de produtos, mas também frete ou ainda do frete e seguro, cujas receitas ficavam assim no Brasil.

Ao ser extinta lucrativa (US$ 11,4 milhões em três meses de 1990), após 14 anos de atividade, a INTERBRAS vendia em 92 países cerca de 2 mil diferentes produtos de mais de 500 empresas brasileiras. Havia movimentado, ao longo de sua existência, US$ 27 bilhões em operações no mercado internacional, apresentando uma relação lucro líquidos/vendas de 0,22%, só compatível às megatradings dos chamados "tigres asiáticos".

Segundo o "Institute for Research on Public Policy", do Canadá, a empresa figurava entre as maiores companhias de comércio exterior do mundo por sua agilidade, eficiência e estrutura operacional. Era uma "sogoshosha", denominação japonesa para "tradings" de grande porte e caracteríticas semelhantes a INTERBRAS. Um estudo publicado por um membro daquela entidade de pesquisas e análises econômicas, Yoshi Tsurumi, como o mesmo título de " Sogoshosha", destacava a atuação da INTERBRAS, comparando-a aos gigantes do setor, como a Mitsui, a C.Itoh, a Marubeni e outras.


PARCEIRO FORTE

A INTERBRAS era uma empresa respeitada no mercado externo com eficiente geradora de negócios para o Brasil. Como braço externo do sistema PETROBRAS, a INTERBRAS representava, na verdade, um instrumento estratégico no processo de desenvolvimento do País e ponte para o ingresso e participação da iniciativa privada nacional nos blocos de mercado que se estruturavam no mundo moderno.

Somente uma "trading" de grande capacidade operacional e saúde financeira pode operar em escala no mercado internacional, conduzindo negócios e gerando volumes expressivos de divisas para seu país de origem.

O que se constata hoje, é que a PETROBRAS não pode prescindir de uma estrutura própria, adequadamente montada e dotada de técnicos convenientemente treinados para a difícil tarefa de atuar com eficiência na abertura e consolidação de mercados para bens e serviços brasileiros.

A extinção da INTERBRAS tem de ser repensada - pela própria PETROBRAS e o Governo Federal.

A relação que se segue, de algumas operações conduzidas pela INTERBRAS para vender bens e serviços do País, desenha um claro perfil da importância no cenário do desenvolvimento nacional desse parceiro forte do empresariado brasileiro.


PRIMÁRIOS E AGROINDUSTRIAIS




Era bastante diversificado o leque de negociações desenvolvido pela INTERBRAS na área de "commodities". A empresa selecionava e financiava fornecedores; garantia as especificações de produtos e os prazos de entrega em qualquer mercado comprador.

Nas negociações incluiam-se produtos absolutamente não tradicionais. Um exemplo: carvão de babaçu exportado, em caráter experimental, para França, visando testar seu uso nas industriais siderúrgicas e de laminação européias.

Entre as exportações de "commodities", realizadas pela INTERBRAS, destacaram-se o açúcar, o café, o cacau, a soja e o milho, farelo e óleos vegetais, arroz, sorgo, carne bovina, frango congelado, pescados, sisal, inhame, água mineral, trigo mourisco, cera de carnaúba, pimenta do reino, madeiras, enlatados, farinaha de peixe, cravo-da-índia, frutas em conserva e outros.

Formavam entre os paíse importadores, o Japão, Inglaterra, Irã, Índia, Líbano, França, Bélgica, União Soviética, Holanda, Angola, Kuwait, Chile, Arábia Saudita, Austrália, Nigéria, Estados Unidos, Argélia, Iraque, Hungria, México, Itália, Polônia, Espanha, Síria, Venezuela, Chile, Argentina e República Democrática Alemã.


ALGUMAS OPERAÇÕES IMPORTANTES


_ Aviões cargueiros fretados pela INTERBRAS, realizaram uma verdadeira ponte-aérea (288 vôos) levando carne bovina congelada para Lagos, na Nigéria. Esse programa de exportação forneceu 9.612 toneladas do produto a preços competitivos, contribuindo para minorara os problemas de abastecimento daquele país. Os contratos de frete aéreo estavam entre os maiores de que se tem conhecimento. As negociações foram concluídas na modalidade CIF (custo, seguro e frete).



O valor global do fornecimento de 12 meses, era de US$ 22,5 milhões. Frigoríficos fornecedores: Cotia. T. Maia e Bordon.



_ Para Vender caudas de lagosta congeladas nos Estados Unidos, com marca própria (Brasmar), a "trading" reuniu um "pool" de 80% dos produtores do Nordeste Brasileiro - 16 empresas - que passaram a disputar mercado com a acirrada concorrência dos habituais fornecedores: sul-africanos, neo-zelandeses e australianos. Nas negociações com os importadores dos EUA, a INTERBRAS conseguiu melhores preços para o produto, maximizando as receitas dos lagosteiros nacionais, até então submetidos a preços abaixo da média do mercado internacional.



_ Abertura do mercado japonês para a soja e o milho brasileiro, na modalidade C&F (custo e Frete), pela primeira vez, colocando diretamente aqueles produtos nos portos nipônicos. Para essas exportações a empresa lançou mão de navios especializados, capazes de levar os grãos até ao Japão e trazer de volta, como carga de retorno, fertilizantes daquela origem, ou ainda petróleo do Golfo Arábico, numa conjugação de transporte que baixou sensivelmente os fretes, tornando nossa soja e milho competitivos como de outros países fornecedores.

_ Num mercado oferecido, com excedente mundial de 15 milhões de toneladas de arroz, a INTERBRAS concretizou o maior contrato de exportação do produto já firmado no Brasil. As negociações totalizaram nada menos de 125 mil toneladas de excedentes de produção, que abarrotaram armazéns no sul do País, causando dificuldades de estocagem para safras de outros produtos. O contrato firmado acarretou uma receita cambial de cerca de US$ 30 milhões, tendo com principais compradores países do Leste Europeu.

_ O início das operações "offshore" da INTERBRAS - prática rotineira nas grandes "tradings" multinaionais - aconteceu em 1978. Face à quebra das safras brasileiras, a empresa adquiriu sorgo, milho e soja da Argentina e Estados Unidos, no valor de US$ 70 milhões, par atendimento a clientes internacionais, notadamente no Oriente Médio. Assegurou, assim, ingressos de divisas no Brasil, representados pelos lucros operacionais nessas negociações e pelas receitas de fretes e seguros.



_ Com a Venezuela, a INTERBRAS firmou o maior contrato jamais feito em nosso País para exportação de acúcar, em contrapartida à compra de petróleo. Foram 650 mil toneladas que proporcionaram um faturamento de aproximadamnete US$ 360 milhões. O IAA - Instituto do Álcool e do Acúcar ganhou nessa venda nada menos que US$ 144 milhões. Nesse período, o acúcar caiu de preço no mercado internacional, tendo a Venezuela de honrar o contrato com a INTERBRAS, resultando em receitas cambiais apreciáveis para o Brasil.

MANUFATURADOS



Na área de manufaturados, um "pool" de fabricantes foi organizado, já em 1977 congregando indústrias calçadistas de Franca (SP) e Novo Hamburgo (RS) para a exportação pioneira de 400 mil pares de calçados vendidos à então União Soviética, num valor de contrato equivalente a US$ 6 milhões.

Posteriormente, a INTERBRAS entrou firme no mercado norte-americano vendendo calçados masculinos e femininos, congregando oito (8) fabricantes também de Franca e Novo Hamburgo, no período de 1978 a 1989. Aquele mercado foi efetivamente aberto aos calçadistas brasileiros quando, em 1979, a INTERBRAS reuniu e levou um grupo de industriais para o " National Shoe Fair of América", em Nova Iorque, o maior evento daquele país para a promoção e venda direta às redes lojistas de calçados.

O sucesso da atuação da INTERBRAS no mercado norte-americano de calçados foi atestado pelo interesse manistestado pela loja de departamentos "Bloomingdale's" em adquirir, por US$ 5 milhões, os direitos de uso da marca "Hippopotamus" pertencente à "trading" e consagrada no mercado, no qual venderam-se mais de 10 milhões de pares.

Outros países para os quais a empresa vendeu calçados e também artigos diversos de couro: Venezuela, Holanda, Franca, Áustria, Alemanha Ocidental, Trinidad & Tobago.

Entre as vendas de manufaturados o ineditismo de uma delas merece menção: foi a exportação, considerada a maior realizada no mundo, em seu gênero, de sinalizadores marítimos (93 torres) para o Chile, destinadas ao balizamento do Estreito de Magalhães.

_ No Irã, cliente não tradicional do Brasil, a INTERBRAS abriu espaço para a colocação de manufaturados: 12 mil geladeiras, rodas de vagões ferroviários, estanho metálico, ferro-gusa, ácido nítrico e outros bens. Eram operações, em sua maioria, em contrapartida às compras de petróleo.
_ A Massey Ferguson e a "trading" firmaram o maior contrato isolado de exportação de manufaturados até então concluído no Brasil, compreendendo, a venda de 7200 tratores agrícolas para a Turquia. A operação teve valor superior a US$ 53 milhões, na modalidade CIF (custo, seguro e frete). Outros 1.000 tratores foram mais tarde vendidos ao Iraque, no valor de US$ 10 milhões.

_Ante a ameaça de frustração da venda de 24 mil veículos Volkswagem à Argelia, em valor superior a US$ 80 milhões, caso não houvesse a contrapartida da aquisição de 190 mil toneladas de rocha fosfática (US$ 6 milhões), a INTERBRAS foi chamada a superar o impasse. Ela organizou um "pool" de empresas e dividiu por cotas, entre as indústrias de fertilizantes nacionais, a importação da rocha fosfática argelina. A venda de veículos foi concretizada.



_Para a venda de 1070 máquinas-ferramentas (furadeiras e tornos, principalmente) no Iraque, a empresa reuniu também em "pool" os fabricantes brasileiros: Nardini, Roque, Esco, Iplemac, Celoplás e Ishibrás. Negócio concretizado. O grupo foi depois ampliado para 14 empresas, acrescentando-se fresadoras, retíficas, plainas, serras, prensas e outro equipamentos.

_ O mercado da União Soviética para têxteis se abriu para o Brasil quando a "trading" reuniu quatro fabricantes brasileiros (liderados pelo Grupo Vicunha, SP) para fornecimento de fios de lã e mistos.

_ Para Venezuela foram mantidos durante quatro anos, contratos de fornecimento de confecções (principalmente jogos de cama), no valor aproximado de US$ 6 milhões, além de refrigeradores e condicionadores de ar, da Ibesa, Prosdócimo e Springer.

_ A INTERBRAS liderava a exportação de ferro-gusa, tendo reunido 100 produtores, com capacidade instalada de 60 mil tonelads métricas por mês, vendendo para a China, Romênia, Estados Unidos, Alemanha Ocidental, Bolívia, anualmente, com esse produto.

_ Vendas continuadas e regulares de aço inoxidável da Vilares e da Piratininga, indústrias nacionais, eram realizadas para a Inglaterra, em valores médios anuias de US$ 250 mil.

_ No Equador foram negociados equipamentos para a manutenção de rodovias, abrangendo: tratores, caminhões, moto-niveladoras, rolos compactadores, britadeiras, basculantes e peças de reposição. O contrato da INTERBRAS, no valor de US$ 20 milhões, novamente reuniu em "pool" fornecedores do País: Maquigeral General Mortors, Muller, Massey ferguson e Saab Scania, Cartepillar e Faço.



_ Na Argélia foram colocados 85 mil refrigeradores, 15 mil máquinas de escrever e 50 milhões de pilhas elétricas, além de uma extensa relação de peças de reposição para os dois primeiros itens, e ainda produtos siderúrgicos.
_ Para exportar 50 modelos de eletrodomésticos para a Nigéria com marca prórpia (Tama), a INTERBRAS reuniu "pool" 21 indústrias do setor: Armco, Faet, Telefunken, Cumulus, CCE, Tupy, Climaterm,Semeraro, Lico, Polivox, Pereira Lopes (Ibesa), Reubli, Refrigeração Paraná, Semp, Philco, Corona, Sharp, Spam, Springer, Vigorelli e Wallig. Foram vendidos US$ 6,7 milhões.

Com o fechamento do mercado nigeriano, as exportações de eletrodomésticos desviaram-se para outros países, totalizando US$ 32 milhões: Argentina, Gana , Zaire, Irã, Bolívia, Paraguai, Guiné-Bissau-Bissau, Chile, Camarões, Argélia, Costa do Marfim, Uruguai, Peru, Honduras, Guianas, Gabão, Senegal, Venezuela, Haiti, Libéria, Arábia Saudita, Barbados, México, Cingapura e Congo.

_A INTERBRAS negociou ainda: pneus, cabos elétricos, tesouras, extintores de incêndio, pulverizadores, válvulas industriais, máquinas rebitadeiras, equipamentos para plataformas de petróleo para indústria naval, tubos de aço, alumínio, laminados flexíveis de PVC, zinco, silício metálico, tubos API, tubos de ferro dúctil, vergalhões, chapas laminadas, blocos, tubos de aço, fio-máquina, chapas finas laminadas, folhas de flandres e dezenas de outros itens para os seguintes países: Arábia-Saudita, Argélia, estados Unidos, França, Hong kong, Irã, Iraque, México, Venezuela, India, Polônia, Tailândia, Equador, Paquistão, Dinamarca, Kuwait, Argentina e Hungria.
_Químicos e Petroquímicos foram exportados em larga escala para os Estados Unidos, Argentina, Japão, Países Baixos, Portugal, Venezuela, Colômbia, Bélgica, Itália, Cingapura, Irã, Reino Unido, Turquia, Indonésia, Arábia Saudita, União Soviética, Luxemburgo, Zimbabwe e Iugoslávia.

_As Vendas de derivados de petróleo e álcool anidro para mistura carburante com a gasolina se realizaram em maior volume para os Estados Unidos, Países Africanos (principalmente Zaire e Senegal), Japão e Coréia.



SERVIÇOS DE ENGENHARIA
O setor em que o pioneirismo da empresa mais se envidenciou foi o de serviços, atividade na qual o Brasil dava, em 1976, os primeiros passos no sentido de incrementar substancialmente as exportações. Ao ser extinta, a INTERBRAS participava de 65 empreendimentos em países árabes, africanos e latino-americanos, abrangendo desde estudos de viabilidade até projetos e execução de obras diversas, além de montagens industriais.

Tais negociações representaram um volume de contratos em torno de US$ 2,2 bilhões. Eram concorrências internacionais e propostas acirradamente disputadas com países detentores de tradição e comprovada tecnologia, tais como Alemanha, Estados Unidos, França, Itália e Inglaterra.

É significativo, nos contratos de exportações de serviços, o fato de que eles representam, na verdade, todo um pacote de negócios. Não se restringem ao estudo de viabilidade, ao projeto ou à própria execução da obra. Mas englobam também exportação de tecnologia, de mão de obra, de equipamento a ser realizado.

Articulando-se com empresas especializadas brasileiras, a INTERBRAS realizou contratos de efetiva importância, abrangendo empreendimentos concluídos, em andamento ou em negociação, em 1990, tais como:

_Projeto do poliduto Libertad-Guayaquil e parques de estocagem de Guayaquil, El Triunfo, Mata e Cuenca, no Equador, com as firmas Techini e Projeta;

_Construção da rodovia Safwa-Al-Jubail, na Arábia Saudita, com a Construtora Beter;

_Construção do porto pesqueiro de la Paloma, no Uruguai, coma Ecex e a Conic Portuária;

_Projeto e construção da destilaria de Álcool de Guanacaste, na Costa Rica, com a empresa Dedini-Codistil;

_Tranferência de tecnologia de álcool carburante, na Costa Rica, com a Petrobrás Distribuidora - BR;

_Construção de dois hotéis, no Iraque, com o consórcio Alfredo Mathias-Esusa;
_Projeto Básico de expansão do aeroporto de Funchal, na Ilha da Madeira, Portugal, com a Hidroservice;
_ Construção de rede de saneamento básico de San José, na Costa Rica, com a Etesco;
_Construção do Shopping-center Parque Arauco, no Chile, com a Veplantec;

_Implantação dos sistemas de abastecimentos de água potável de Caacupe e Villa Ayes, no Paraguai, com a Degremont;

_Construção da linha de transmissão (220Kv) Mantaro-Pachachaca-Callaunca, e respectivos sub-estações, no Peru, com a Sade;

_Construção da linha de transmissão (550Kv) Alicura-Abasto, na Argentina, com a Sade;

_Construção da linha de transmissão (110Kv), em Moçambique, com a Sade;

_Construção da linha de transmissão(230Kv) Esmeralda-Yumbo, na Colômbia, com a Sade;

_Construção de linha de transmissão (132Kv), em Cajon, na Arábia Saudita com a Sade;

_Implantação da Empresa Estatal Distribuidora de Derivados de Petróleo, na Libéria, com a Petrobras Distribuidora, BR;

_Construção da ferrovia Bagda-H'Saibah e Alquaim-Akashat, no Iraque, com a Mendes Junior;

_Construção da barragem de Paso Severino, no Uruguai, com a Construtora Galvão;

_Cosntrução das instalações de tratamento de efluentes, no Paraguai, com a Degremont;

_Implantação do sistema de distribuição de energia da Esfahan Regional Eletric Co., no Irá, com a Sade;

_Construção do parque de armazenamento do petróleo em Balao, no Equador, com a PETROBRAS;

_Construção da usina hidrelétrica de Capanda, em Angola, com a Norberto Odebrecht;

_Construção de linha de transmissão (132Kv) de Khorasan, no Irã, com a Sade;

_Implantação do sistema de telecomunicação rural, no Equador, com a Filsan;

_Cinco (5) contratos que envolviam projetos e financiamento de estrutura metálicas e ferragens para linhas de transmissão de alta-tensão para empresas de eletricidade do Irã(2), da Costa Rica, do Suriname e da Colômbia, com a Sade.

IMPORTAÇÕES

Outra atividade da INTERBRAS intimamente ligada ao interesse do País foram as importações de matérias-primas e insumo básicos. Um exemplo disso é o trabalho feito para a CEME - Central de Medicamentos, órgão do governo federal. iniciadas em 1976 e realizadas até o anos da extinção da empresa, as compras envolviam cerca de 60 itens (inclusive vacinas Sabin), adquiridos na Itália, Suíça, Hungria, Dinamarca e Bélgica.


Esses insumos, utilizados na fabricação de medicamentos para tratamento das doenças de maior incidência na população brasileira, principalmente nos segmentos de baixa renda, eram negociados, no exterior, a preços que permitiam reduções de mais de 30% no custo final de 356 drogas diferentes.
A vantagem dessas importações, pela INTERBRAS, era também o ganho de divisas para o País, com a eliminação das práticas de superfaturamento.
Assim como no caso da CEME, em diversas oportunidades a empresa foi convocada a ações específicas e urgentes de relevante interesse para o abastecimento interno do país, importando carne, feijão, leite em pó, e outros produtos. Ou ainda diversas matérias-primas consideradas imprescindíveis ao nosso parque industrial, beneficiando principalmente as pequenas empresas privadas nacionais, cujos volumes de compras no exterior não lhes permitiam obter preços vantajosos atuando isoladamente. Foi assim com produtos químicos e fertilizantes, estes destinados à revenda aos agricultores e cooperativas agrícolas.


APOIO


Vale ressaltar também a atuação da INTERBRAS junto a organismos governamentais, viabilizando importações consideradas estratégicas. Exemplo:

_Ministério da Saúde: em abril de 1990, já extinta, a INTERBRAS foi acionada para importar 2,5 milhões de doses de vacinas contra meningite, de Cuba. A empresa teve de dar seu aval ao governo daquele país, garantindo , em contrapartida, o embarque posterior de US$ 15 milhões em ônibus e farelo de soja brasileiros. Para o MS a "trading" realizou importações no valor de US$ 105 milhões.

_Ministério do Exército: montagem, execução parcial, apoio e controle da contrapartida na importação de helicópteros da França. Valor do contrato: US$ 246 milhões.


Em diversas ocasiões, a INTERBRAS deu apoio financeiro a vários produtores nacionais. Como por exemplo do auxílio e suporte prestado, com a captação de recursos destinados a implantação ou ampliação de unidades industriais brasileiras, pode-se citar:



_CPC - Companhia Petroquímica de Camaçari: US$ 20 milhões para pagamento de produtos destinados a exportação.

_ Açominas - Aços Minas Gerais S/A: US$ 160 milhões para pagamento em produtos destinados a exportação, durante um período de quatro anos e mais US$ 60 milhões , para pagamento em dois anos.

_Farol - Indústria Gaúcha de Farelos e Óleos: US$ 10 milhões em créditos rotativos anuais, para viabilizar a aquisição de matéira-prima diretamente de produtores rurais, com pagamento em produtos destinados a exportação.

_ Operação de cessão de crédito entre a Companhia Siderúrgica Nacional, Rede Ferroviária Federal e Petrobras, no qual a conjunção das operações permitiu que os débitos entre as empresas fossem quitados através da exportação de produtos siderúrgicos.


Os problemas de transporte marítimo sempre ameaçaram a competitividade de inúmeros produtos brasileiros em mercados mais longíquos ou caracterizados por limitações de infra-estrutura portuária.
A experiência adquirida pela INTERBRAS permitia encontrar soluções satisfatórias para esses problemas, montando e executando operações que, por vezes, se revestiam de grande complexidade. Um dos exemplos mais destacados foi o transporte, em caréter pioneiro, de carne congelada para o Iraque.
Sete mil toneladas do produto, fornecido por 21 frigoríficos situados em 15 cidades (no Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Espírito Santo, Goiás e Mato Grosso) foram levados em 1.315 caminhões para embarque no porto de Santos.
A carga perecível foi desembarcada em 1.346 caminhões frigoríficos até as localidades de Mossoul, Bagdá e Basrah, no Iraque, atravessando regiões com temperaturas de até 55 graus centígrados. Prazos foram cumpridos e o produto entregue em perfeitas condições de consumo.
A ação da INTERBRAS revestiu-se ainda de ineditismo não apenas no que se refere à abertura de mercados e a colocação de produtos e serviços no exterior, ou mesmo a realização de operações de transporte extremamente complicados.
Através dela, pela primeira vez no Brasil ingressou firmemente no cenário do comércio internacional para defender, em 1977, direta e ostensivamente, as cotações de um produto básico de sua economia: o café.
Nossa produção havia sido reduzida drasticamente pelas geadas, fato que se somou a problemas políticos em Angola e Uganda, deprimindo decisivamente a oferta do produto. Tais circunstâncias levaram a um quadro de nítida escassez mundial do café.
Apesar disso, em 76 e em 77, manobras especulativas nas Bolsa de mercadorias de Londres e Nova Iorque pretenderam violentar a lei da oferta e da procura e, mesmo diante da realidade que era a falta do produto, buscaram aviltar os preços e cotações.
A posição marcante da INTERBRAS, atuando naquelas Bolsas e adquirindo café onde este estivesse disponível, foi importante na contenção do esforço baixista. Nas Bolsas, a “trading” comprava contratos e exigia a entrega do café.
Ao receber esse café, ou comprar o produto, sempre que possível, dos reduzidos estoques existentes – nos países produtores ou armazenados nos países consumidores – a INTERBRAS realizava seu embarque para o Brasil.
Os cafés trazidos para cá reforçaram os estoques nacionais, em níveis criticamente baixos. E por serem tipo “robusta” (africano), permitiam a liberação de quantidade equivalente do nosso produto tipo “arábica”, de maior valor comercial, para exportação, ganhando o País em divisas nessa diferença e ficando o café importado para consumo interno.
Órgãos de imprensa do prestígio de “Le Monde” (Paris) e “The Guardian” (Londres) defenderam abertamente a posição da empresa. “A INTERBRAS está agindo – publicou o jornal londrino – como qualquer negociante o faria no mercado”. E acrescentou: “A companhia brasileira está fazendo o que costumam fazer as grandes trading-companies”.
Hoje, qual a companhia brasileira que pode agir no mercado internacional, ocupar espaços e conduzir operações em áreas de alto risco – como China, Rússia, Irã, Iraque, Polônia e Argélia, entre outros – financiar a produção e coordenar esquemas de transportes altamente complexos em qualquer região do mundo?
O espaço deixado pela INTERBRAS não foi ocupado por nenhuma “trading” do País.
Certamente foram as grandes multinacionais, as empresas dos “tigres” asiáticos que vêm tomando em suas mãos as oportunidades de negócios que só a INTERBRAS tinha condições de disputar.
O comércio mundial movimenta cerca de US$ 3,7 trilhões/ano. O Brasil, vale a pena lembrar, embora se coloque entre as 10 maiores economias do mundo, participa com 1% do giro do “trade” internacional.
A INTERBRAS, sozinha, durante sua existência, realizou negociações da ordem de US$ 30 bilhões, aproximadamente 25% da dívida externa brasileira.
Por que essa empresa deixou de existir, sem sequer tivessem sido consultados seus acionistas minoritários? E agora, segundo publicam os jornais do Rio e São Paulo, do 22 de outubro deste anos, a PETROBRAS fala em criar uma “nova subsidiária”, para importar gás da Bolívia. É humor negro.
UMA ESTRUTURA SÓLIDA

A INTERBRAS foi liquidada de forma draconiana e demagógica – pela Medida Provisória 151 – da maneira mais primária e irracional, por um governo que se dizia preocupado com a modernidade, mas que parece desprezar as práticas mais comuns da atividade comercial moderna.

Com aquele ato de violência econômica e social, o governo Collor desmantelou toda uma estrutura empresarial rentável, sólida e solvente. Agrediu o interesse público e rasgou a Lei das Sociedades Anônimas, que proíbe o acionista majoritário de extinguir uma empresa do grupo que seja lucrativa, sob pena de estar praticando abuso de poder econômico. E no que diz respeito a abusos de poder, esse governo era mestre.

Existem formas muito mais apropriadas, inteligentes e éticas de extinguir uma empresa – quando isso é honesta e verdadeiramente necessário – preservando o que ela tem de útil, de social e economicamente valioso.

É através da fusão, da incorporação ou privatização, resguardando-se os interesses de seus acionistas, empregados e parceiros comerciais.

Não foi assim que aconteceu com a INTERBRAS, a maior empresa de comércio exterior do país e do hemisfério sul, em março de 1990.

A liquidação da empresa teve como conseqüência imediata a perda de cerca de US$ 25 milhões de créditos fiscais, nos Estados Unidos. Uma generosa doação do novo governo brasileiro aos norte-americanos.

Nos três primeiros meses de 1990 a empresa já havia auferido lucros de US$ 11, 4 milhões, contribuindo com 16% dos lucros da própria PETROBRAS, no período. A INTERBRAS estimava faturar, no ano, US$ 3,1 bilhões.

Em março de 1990 a empresa detinha no mercado internacional, linhas de crédito de aproximadamente de US$ 300 milhões e quase US$ 100 milhões em caixa.
Agora, passados dois anos do início de sua extinção e estando no terceiro liquidante, é tempo de perguntar: qual o destino desses recursos?

A empresa encerrou o ano de 1989 com 916 empregados e faturamento de US$ 2,7 bilhões (uma relação de US$ 3 milhões por empregado), tendo alcançado um lucro líquido de US$ 7,2 milhões. Ao longo de 14 anos (US$ 205 milhões de lucros no período de 1976/89, a trading nunca recebeu um tostão do Tesouro Nacional. Pagou dividendos de US$ 78 milhões à PETROBRAS e, consequentemente, contribuiu para os resultados positivos e os dividendos que holding transferiu para União.

  • A INTERBRAS aproveitou sempre o grande poder de barganha da PETROBRAS, principalmente em mercados de altorisco como Irã, Iraque, China, Índia, Angola e outros - nos quais a iniciativa privada, sem fôlego financeiro ou estrutura de marketing adequada, não podia operar sozinha com sucesso

A INTERBRAS previlegiava a estratégia de fomentar exportações através de operações de contrapartida, consideradas fundamentais no apoio à iniciativa privada. Essas operações não se limitavam às compras de petróleo ou aos países produtores dessa matéria-prima. Foram realizadas, por exemplo, com a então União Soviética (fretes x café solúvel) Canadá (fertilizantes x complexo soja) e paíse da àsia(arroz x tratores e outros manufaturados)

  • A empresa sempre viveu de seus próprios resultados; era autosustentável. Nunca pediu subsídios. Ao contrário, na época da crise mundial de 1982, por exemplo, repassou ao Banco Central recursos em valor superior a US$ 100 milhões, próprios e captados no mercado financeiro internacional.


  • A INTERBRAS foi a primeira empresa de comércio exterior do país a operar na Bolsa de Londres, efetuando hedges como cobertura de suas compras no mercado interno. Instalou mesas de commodities no exterior - Nova Iorque e Londres - passando a atuar permanentemente nas bolsas internacionais de mercadorias.


  • A INTERBRAS não concorria com a iniciativa privada, como chegaram a afirmar alguns setores desinformados do próprio governo. Como empresa de comércio exterior não produzia nenhum dos bens ou serviços que comercializava. Todas as suas vendas no exterior se iniciavam, obrigatoriamente, com uma compra no mercado interno. Apoiava e beneficiava, em consequência, milhares de empresas nacionais dos setores de serviços, bens manufaturados e produtos agrícolas, contribuindo assim para a utilização da capacidade produtiva, a manutenção de empregos nessas atividades e gerando também o pagamento de títulos.


  • Realizou negócios em 92 países. Abriu novos mercados. Tinha em seu departamento de análise de crédito e cadastro cerca de 12 mil empresas registradas, entre fornecedores, clientes e prestadores de serviços em diversos mercados. O que foi feito desse acervo?


  • A INTERBRAS abriu o mercado da China para um pool de exportadores privados de ferro-gusa, que chegou a absorver 21% do total comercializado pelo Brasil. Para a União Soviética vendeu fios de lã e mistos, reunindo um grupo de quatro fabricantes de São Paulo.

  • Os 15 escritórios de representação e subsidiárias da INTERBRAS no exterior, estrategicamente localizados, cobriam os principais mercados, facilitavam os contratos diretos e permanentes, bem como os trabalhos de avaliação de perspectivas. Permitiam realização de operações "offshore" - entre terceiros países - com maior rapidez e precisão, maximizando resultados.
  • Os grupos empresariais de porte em diversos setores (indústria, agrícola, bancário e outros) possuem empresas especializadas con comércio internacional, ampliando sua própria flexibilidade e agilidade comerciais. É a prática de grupos japoneses, coreanos, americanos. Inclusive de empresas petrolíferas, como a Shell International Trading, BP Trading, Elf Aquitaine Trading.


  • A INTERBRAS, graças a sua eficiência conseguiu atingir índices de lucratividade equivalentes aos das maiores tradings internacionais: 0,22% para o faturamento de US$ 2,7 bilhões (em 1989), igualando-se ao da Mitsubishi, que faturava US$ 86,7 Bilhões.


  • Os exportadores brasileiros faziam a esmagadora maioria de suas operações na modalidade FOB (livre a bordo), apenas colocando as mercadorias no porto de embarque. A INTERBRAS procurou sempre agregar os custos de seguro e frete ao preço dos produtos exportados negociando, preferencilamente, nas modalidades CIF (custo + seguro frete) e C&F (custo + frete). Com isso modernizou as operações nacionais de exportação, gerando apreciável acréscimo às receitas cambiais do país, sem contar que prestigiava os armadores nacionais, os navios de bandeira brasileira.


  • Por não terem estrutura de distribuição ou comercialização nos países de destino dos produtos vendidos - essa era uma das razões de só operarem em FOB (livre a bordo) -, as tradings nacionais não podiam enfrentar a dura concorrência das multinacionais. Em consequência, o país perdia de 15 a 20% de receita cambial potencial, segundo afirmava o então diretor da extinta Carteira de Comércio Exterior (Cacex), do Banco do Brasil, Benedicto Moreira, ex-presidente da PETROBRAS. A INTERBRAS com estrutura no exterior, podia operar "landed", ou seja, colocando as mercadorias nos países consumidores.
  • O desmantelamento da INTERBRAS implicou na perda de um fundo de comércio de valor inestimável. E não apenas isso. A complexidade de muitas operações que realizou foram citadas como exemplo nos manuais de "barter" (troca de mercadorias), editados pela publicação The Economist e em palestras proferidas sobre essa técnica pelo Lloyds Bank, na Europa. Essa Trading brasileira gerou e exportou tecnologia comercial de ponta.


  • Na exportação de serviços (engenharia) a INTERBRAS participou de 65 empreendimentos externos, englobando contrtos de projetos, construções e montagens, que totalizaram cerca de US$ 2,2 bilhões. Esse desempenho propiciou o ingresso de tecnologia e equipamentos brasileiros em nada menos de 24 países.


  • Os produtos excedentes dos polos petroquímicos exportados pela INTERBRAS permitiam ganhos de escala operacionais (transportes e armazenagens) e mercadológicos (ampla carteira de clientes). Das exportações brasileiras de petroquímicos, que totalizaram US$ 1,2 bilhão, em 1989, a empresa vendeu US$ 450 milhões, metade proveniente de compras à iniciativa privada. Os restantes US$ 750 milhões foram comercializados pelas grandes trading multinacionais, com a C.Itoh, Mitsubishi, Nisho Iwai e a Phibro, na modalidade FOB ( a INTERBRAS, vale a pena repetir, só vendia CIF ou C&F).


  • A INTERBRAS supria quase que integralmente as necessidades dos laboratórios oficiais da CEME - Central de medicamentos, órgão do governo federal, fornecendo-lhes s matérias-primas importadas (60 itens) indispensáveis à fabricação de remédios. Esse insumos eram negociados, no exterior, a preços que permitiam reduções de mais de 30% no custo final, com evidentes repercussões de cunho social. Quem assumiu assumiu essas importações, a que custos? Talvez a trading From Brazil, citada na CPI do PC Farias, possa responder. Ou o ex-ministro da Saúde, Alceni Guerra.


  • O ex-ministro da Infra-Estrutura, Ozires Silva, defendeu a extinção da INTERBRAS afirmando à imprensa (em 4 de abril de 1990) que a empresa era a "maior trading do mundo, maior que as japonesas, que são muito mais eficientes".

Comentário errado, total desinformação. A INTERBRAS faturava US$ 2,7 bilhões (1989) contra os 126 bilhões da Mitsui. Outras como a Sumitomo, C. Itoh, Mitsubishi superavam individualmente a marca dos US$ 80 bilhões. O número de empregados e escritórios também era ridiculamente menor. Nenhuma das quatro gigantes contava menos de 8.000 empregados para mais de 100 escritórios no exterior, cada uma. A INTERBRAS tinha apenas 916 empregados e 15 escritórios estrategicamente localizados.

O BRASIL PERDEU, ALGUÉM GANHOU


Por que, afinal, foi extinta a INTERBRAS? A quem interessava o fundo de comércio, de valor inestimável, acumulado pela trading? Quem ganhou com esse ato?

Com certeza não foi o Brasil.

Pensavam, alguns em março de 1990, que dos negócios no valor estimado de US$ 3,1 bilhões para aquele ano, a serem realizados pela INTERBRAS, parte considerável seria fácil e rapidamente transferida para as empresas nacionais de comércio exterior maior porte: como a Cotia Trading, por exemplo:

Má-fé ou primarismo dos conselheiros que assim pensavam e induziram o novo governo a acrescentar o nome da INTERBRAS à lista das empresas descartáveis.

Da cobiçada herança, estima-se que cerca de US$ 700 milhões simplesmente desapareceram por se tratarem de negócios que teriam de ser feitos em contrapartida às compras de petróleo pela PETROBRAS. Os países do Oriente Médio, África e Ásia que faziam essas operações com o Brasil, todos de economia centralizada, só negociavam de governo para governo.

Qual das Tradings brasileiras teria cacife para bancar essas operações sem o apoio de um braço forte pela PETROBRAS? Sem um parceiro coma a INTERBRAS que financiava negociações, fazia controle de qualidade de produtos na origem, negociava fretes e supervionava operações de embarque e desembarque (3,6 milhões de toneladas em 1989), levando a mercadoria até o destino.

Parceria, também, aos técnicos da modernidade, que seria possível abocanhar uma boa fatia de negócios do espólio da INTERBRAS em confronto direto com as grandes empresas multinacionais de comércio exterior, deslocando-as do mercado. Não foi possível naquele momento e não agora. Perderam-se, assim, oportunidades de negócios no montante estimado de US$ 1,2 bilhão. É preciso um perceiro forte - como era a INTERBRAS - para disputar mercados com gigantes do porte da Mitsui ( vendas de US$ 126 bilhões), da C. Itoh (US$ 88 bilhões), da Mitsubishi ( US$ 86 bilhões, da Sumitomo (US$ 80 bilhões) e outros.

A maior empresa brasileira do setor, a Cotia Trading, por exemplo, faturava, por ano, em torno de US$ 300 milhões, valor dos negócios que a INTERBRAS realizava em apenas um mês.



O COMÉRCIO INTERNACIONAL GIRA US$ 3,7 TRILHÕES/ANO


  • Não é negócio para pequenos. Por mais bem intencionados e competentes que sejam. O fator decisivo é a capacidade financeira que propicia o enfrentamento comercial. E é um conversa de grandes, de gigantes.


  • Acrescente-se que atendência à globalização da economia é no fundo uma tendência à concentração em MEGA CORPORAÇÕES.


  • Isso não é discutido (ou negado) por nenhuma corrente política ou ideológica. É um fato.


  • O Brasil já entra perdedor nessa guerra. Participa com apenas 1% do movimento geral do "trade" internacional.


  • E não crescer significa ser alijado. Ser alijado agora significa perder o bonde da História - a globalização da Economia.

  • E aí é que reinam as curiosidades. O Brasil tinha se preparado para entrar na briga.


  • Criou, desenvolveu e expandiu a INTERBRAS. Única empresa brasileira de porte e atuação multinacional. Treinada para competir com as "MEGA TRADINGS" , ou atuar em conjunto em interesses associados, mostrou eficiência e rentabilidade compatíveis com as maiores do planeta durante 14 anos de operação.


  • Foi extinta, lucrativa, em 24 horas.


  • O Brasil passou séculos vendendo FOB, ou seja, não vendia, era comprado. Por conseguinte, não podia influenciar na cotação dos preços de seus produtos. Perdia, necessariamente, receita cambial.


  • Fez um fantástico esforço para criar uma marinha mercante própria para poder vender C&F e agregar o valor do frete à sua receita. Mas ainda é pouco.


  • Valores significativos e a capacidade de influir nos preços dos seus produtos só advém da capacidade de deter canais próprios de distribuição nos mercados-alvo. Assim, os grandes conglomerados fazem em todo o mundo, inclusive no Brasil.


  • A INTERBRAS era a única empresa brasileira com canais próprios de distribuição no exterior. A única com alguma capacidade de controlar as rotas comerciais e fazer preço.


  • Mas operar dentro dos mercados-alvo também não é tudo. Estar no comércio exterior 24 horas por dia. Isto implica que se, se, eventualmente, não houver disponibilidade de um produto no mercado interno é preciso buscar esse produto em outra origem, para manter o cliente, o parceiro, o canal comercial. A compra em diferentes origens é uma típica operação "off-Shore".

  • Só a INTERBRAS tinha condições de operar em "off-shore".


  • Por conseguinte, só a INTERBRAS tinha condições de criar parceiros cativos, permanentes, enfrentar e ganhar dos concorrentes internacionais.


  • Exemplo do sucesso das parcerias permanentes é a operação de contrapartida. O Brasil gasta US$ 3,4 bilhões/ano na compra de petróleo.


  • Quem compra, pode vender.tem parceiro. A INTERBRAS como subsidiária da Petrobras podia explorar esse filão. E o fez com sucesso. Na contramão do petróleo vendeu automóveis, acúcar, eletrodomésticos, soja, peças sobressalentes, equipamentos, carnes e obras de engenharia.


  • Se o Brasil não usar o poder de barganha da compra de petróleo, outros países ocuparão o nosso espaço no fornecimento de bens de capital e de consumo às nações produtoras dessa matéria-prima. E o farão através da ação de mega-tradings com grande capacidade financeira.


  • Você acredita que qualquer das 150 tradings companies brasileiras tem essa capacidade financeira?

  • Você tem certeza que a extinção da INTERBRAS serviu aos interesses do País? Ou a interesses menos nobres?

MAU COMEÇO DO FIM

O ex-ministro da Infra-Estrutura, João Santana, afirmou na CPI que investiga o esquema de corrupção na Petrobras (que teria sido montado por Pedro Paulo Leoni Ramos, o PP, ex-secretário de Assuntos Estratégicos), que a INTERBRAS foi extinta porque teria dado prejuízo ao país." seus negócios enriquecem muita gente", disse ele.

ERRADO!


Os negócios que enriqueceram muita gente foram realizados após a extinção da empresa e levaram a substituição de seus dois primeiros liquidantes - Wilson José Perroni e Markus Mozes Katz - por irregularidades cometidas e abafadas, na administração dos contratos remanescentes e destinação de estoques de produtos. As duas gestões precisam ser minuciosamente investigadas. Já

O primeiro liquidante, Perroni, autorizou pagamentos indevidos à empresa Michael-Warde, da Colômbia, no montante de US$ 3.2 milhões.

A denúncia foi feita pelo jornalista Jânio de Freitas, na edição de 1º de maio de 1991 da Folha de S. Paulo. No dia seguinte a Associação dos Engenheiros da Petrobras - AEPET solicitou ao presidente do Tribunal de Contas da União, Ministro Adhemar Ghisi e ao ex- Ministro da Infra-Estrutura, Eduardo Teixeira, a apuração dos fatos. Perroni foi demitido.

Markus Katz também foi dispensado por inúmeras irregularidades. Deveria ser chamado à Polícia Federal para explicar, entre outras ações fraudulentas, o pagamento à empresa de engenharia Brasileira Filsan de fatura no valor de quase US$ 400 mil não devidos. O débito simplesmente não existia. Mas a Filsan recebeu, independentemente de pareceres contrários, na época, dos departamentos jurídico e financeiro da INTERBRAS. Como se não bastasse, o atual liquidante, Serafim José Claudino, foi também instado a pagar nova fatura, da mesma empresa, também referente a obras ou serviços não realizados.

Alguns fatos antecederam a chegada de Perroni na INTERBRAS devem ser lembrados.

Entre 13 e 20 de abril de 1990 a diretoria da empresa - Maurício Santos, vice-presidente, Fernando moreas Sarmento, diretor financeiro, e Márcio Aché, diretor - reuniu-se com representantes do Lloyds Bank, Chase Manhattan e do Citibnak (três dos principais credores do país), que mostraram interesse na compra do controle acionário da trading, na transferência dos contratos de exportação vigentes. discutiram, como é de praxe, a realização de estudos e viabilidade do investimento.

Mas os entendimentos não tiveram continuidade.

No dia 25 de abril o Conselho de Administração da Petrobras destituiu diretores da INTERBRAS - por ordem de quem? alegando que criavam resistências ao processo de liquidação.

O ex-ministro da Infra-Estrutura, João Santana, em seu depoimento à CPI do PP fez uma série de críticas à INTERBRAS e definiu a empresa como "cartelzinho".

Mostrou-se indignado, por exemplo, com o fato de a INTERBRAS pagar à vista ao industrial brasileiro cujo produto fosse exportado para o Iraque, como parte das operações de contrapartida da Petrobras na compra do Petróleo. O ex-ministro demosntrou não saber nada sobre comércio exterior. A INTERBRAS estava, na verdade, praticamente financiando o empresário nacional, a produção de seus bens de exportação. Apoiando, em resumo, a iniciativa privada na colocação de seus produtos em mercado de difícil acesso e alto risco.

E não eram apenas para operações de contrapartida com o Iraque, mas principalmente com importadores de outros paíse. A resolução nº 329 (depois 643) do Banco Central estimulava e instruia o pagamento, até antecipado, ao fabricante brasileiro de bens manufaturados já negociados com compradores estrangeiros, via trading conpanies, e nã apenas a INTERBRAS. Isso permitiu um apoio efetivo à iniciativa privada.

Quanto à referência ao paraíso fiscal, ilhas Caymã, o ex-ministro João Santana demonstrou desconhecer que trading companies tem de dispor de reservas em moeda forte, no exterior, e utilizam-se desse instrumento para evitar o pagamento de impostos fora do seu país de origem e para garantir a disponibilidade de linhas de crédito em bancos internacionais de primeira linha, facilitando, assim, as suas operações no mercado internacional.

Ainda em seu depoimento, João Santana afirma que as operações em paraísos fiscais são proibidas pelo Tribunal de Contas da União, e não são próprias de uma estatal ou empresa de economia mista.

Em sua primeira afirmação, ele MENTIU! O TCU não proíbe. Se assim fosse o Banco do Brasil e a companhia Vale do Rio Doce já teriam sido punidos. O mesmo teria acontecido com muitas outras tradings privadas. Isso porque operar em paraíso fiscal é necessário e típico, praxe, na atividade de empresas de comércio exterior de qualquer país.

João Santana é neófito no assunto.

E ruim em adição. Afirmou que a INTERBRAS tinha 17 escritórios. Errou. Eram 15

E mais. Todos os balanços da INTERBRAS, inclusive os da INTERBRAS Cayman(Ilhas Caimã), passavam por cinco (5) auditorias: a própria, interna; a de auditores independentes, externa; a da Petrobras; a do Ministério das Minas e Energia e a do Tribunal de Contas da União. Sem restrições, até pelo menos a liquidação da empresa.

Com refrência à "carne de Chernobil", novamente João Santana desmonstrou total desinformação _ ou má-fé. Acrane contaminada e desembarcada no Rio Grande do Sul era suíno e fora importada por trading privada. A carne da INTERBRAS era bovino, importada dos estados Unidos, desembarcada quase na mesma época, e tinha laudo do Instituto de Rádio-proteção e Dosimetria da CNEN, atestando sua qualidade.

Quanto ao "cartelzinho", sabe-se hoje que o governo a que peretenceu o ex-ministro prefere aqueles controlados por um pequeno grupo de amigos, intermediários de negócios para o benefício pessoal. Está nos jornais. A Polícia Federal já constatou o "profundo envolvimento", segundo o Jornal O Globo (21 de setembro de 19), de PC Farias com o Grupo Cotia e ex-colaboradores da ex-ministra Zélia Cardoso de Mello, na importação de commodities, no abastecimento interno de alimentos. A que preço?

Paca, tatu, cotia sim

Na primeira quinzena de junho de 1990 realizou-se em São Paulo, um encontro de empresas que atuavam no mercado externo, organizado pelo Worl Economic Forum. Durante o evento, o relator Raul Leite Luna, diretor executivo do grupo Gomes de Almeida Fernandes (exportava café, álcool e cacau) teria afirmado- segundo nota publicada no Jornal Gazeta Mercantil (SP) sob o título "INTERBRAS" faz falta", em 11 de junho de 1990 - que as empresas participantes tiveram como uma de suas principais preocupações a extinção pura e simples da INTERBRAS, sem que tivesse sido dado tempo para que a área privada absorvesse a experiência da trading. Os empresários pretendiam que fosse transferida para a inicitiva privada a " estrutura acumulada" pela INTERBRAS, seu fundo de comércio.

Na verdade, esse findo de comércio era muito cobiçado. Sobre esse interesse a revista Isto É, em uma de suas edições de abril daquele ano, analisou a atuação da INTERBRAS, a sua extinção, e revelou: " Na ponta das trading compnies privadas brasileiras, a pressão contra a INTERBRAS também é grande. E por motivos óbvios: juntas, as 150 tradings companies que compõem esse universo amealham um faturamento inferior ao da INTERBRAS sozinha. Não há dúvida de que estão tentando atrair para si o largo mercado aberto pela estatal rival. A Assosciação Brasileira das Empresas Comerciais Exportadores (Abece) procurou influir diretamente na decisão sem a menor cerimônia. Aprovou proposta pela qual o liquidante decidiria em conjunto com a entidade qual a forma mais adequada de distribuir os mercados da INTERBRAS entre as 150 candidatas.

O presidente da Abece era Roberto Gianetti Fonseca, diretor-sócio da Silex trading, um clone da Cotia trading.

O retalhamento acabou acotecendo, mas não dessa maneira. Frustaram-se as esperanças da maioria dos interessados. A maior parte do bolo foi para mãos de alguns poucos felizardos, ligados aos esquemas PC e ZLC, e para as tradings multinacionais.

A propósito da Cotia, vale a pena lembrar os nomes daqueles que, de algum modo, colaboravam com a ministra Zélia Cardoso de Mello, na área da Economia, direta ou indiretamente. Em março/abril de 1990 era esse o panorama:

  • Marcos Gianetti Fonseca, irmão de Roberto, era secretário de Planejamento do Ministério da economia; já havia trabalhado na Cotia.

  • Carlos Henrique de Moraes, assessor informal de Zélia no Ministério da Economia, foi da Cotia no período 1977/86; sócio da ex-ministra em sua empresa de consultoria, a ZLC.
  • Antonio Pargana, consultor para assuntos de comércio exterior da então ministro da Infra-Estrutura, Ozires Silva, trabalhou na Cotia; paraticipava da ZLC Consultoria.
  • Narciso Carvalho, vice-diretor da área internacional do Banco do Brasil, trabalhou na Cotia durante quatro anos.
  • Sérgio Nascimento, chefe de gabinete de Zélia no Ministério da Economia, comandou o escritótio da Cotia em Cingapura. Trabalha em comércio exterior através de sua empresa, a Nova.
  • João Rodrigues Cunha, estava cotado para a chefia do departamento de Comécio Exterior o BB, foi subsecretário no Ministério da Economia; dirigiu a área financeira da Cotia.
  • José Marcos Joaquim e Luiz Felipe Nolasco, trabalhavam na área econômica do governo; eram ex-assalariados da Cotia.
  • Rui Amado Moura, foi executivo da Cotia em Brasília quando Zélia ocupava a Secretaria do Tesouro Nacional do Minstério da Fazenda, durante a gestão de Dilson Funaro. É um dos responsáveis pelo programa de indúsria e comércio montado no período de preparação do governo Collor, no anexo II do Itamaraty, o conhecido "Bolo de Noiva".
  • Joseph Tutundjian, presidente da Cotia Trading, foi diretor da INTERBRAS, indicado por Shigeaki Ueki quando este ocupou a presidência da Petrobras. Tutundjian começou na INTERBRAS como aprendiz de "trader", trabalhou na área de planejamento, chefiou os escritórios da empresa em Londres e Teerã. Aprendeu na Trading estatal tudo que sabe de comércio exterior. A INTERBRAS foi, na verdade uma grande universidade, formadora de mão-de-obra altamente especializada para o setor.

Carlos Henrique de Moraes admitiu recentemente, na Polícia Federal, ter recebido um empréstimo em dinheiro de Paulo César Farias, o PC. Teve cheques fantasmas depositados em sua conta bancária. Moraes participou, desde o início, do projeto de reforma administrativa que resultou na extinçao da INTERBRAS. Rui Amado Moura, segundo a Polícia Federal, é hoje uma das mais importantes personagens do esquema PP por sua experiência de comércio externo e trâmites de recursos governamentais. Teria sido responsável pela lavagem de dinheiro de propinas em paraísos fiscais no exterior.

Moraes, quando superintendente-adjunto da Secretaria Especial de Abastecimento e Preços (SEAP), do Ministério da Fazenda, determinou a INTERBRAS que concluísse a operação trazendo leite para o Brasil. Ele negociou tal quantidade do produto do qual parte teve de ser reexportada com prejuízo para o governo federal. CHM era Sócio da Corema, empresa que representava no Brasil os interesses da entidade dos produtores neo-zelandeses de leite, a New Zealand Dariry Board. Outro sócio de Moraes, na Corema e, ou era, o L da ZLC, Lélio Ravagnani Filho.

No início do governo Collor o então secretário nacional de Economia, Marcelo Paiva de Abreu, discordou da indicação pela ex-ministra Zélia, de Roberto Gianetti da Fonseca para a direção do Departamento de Comércio Exterior (ex-Cacex), do Banco do Brasil. Saiu atirando: " Engulo sapo, paca e tatu; Cotia não" Zélia desistiu da indicação.

Extinta mas saudável

Dois anos e meio após a sua extinção pelo governo da modernidade e moralidade - virtudes não confirmadas - acusada de inoperante pelo ex-ministro da Infra-Estrutura, João Santana, e vítima de operações fraudulentas conduzidas nos últimos ois anos por liquidantes por ele indicados, a INTERBRAS ainda assim apresenta resultados que a colocam, seguramente, entre as mais saudáveis empresas do país.

Hoje, se encerrada a liquidação, a INTERBRAS, quem tem recursos e caixa totalizando US$ 65 milhões, apresentaria um lucro líquido patrimonial no montantes de US$ 108 milhões.

(Final)

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A luta dos empregados

O Desafio do Comércio Exterior A extinção da INTERBRAS acabou com o maior instrumento nacional de ingresso no mercado externo. Perdeu a inicitiva privada, perdeu a Petrobras, perdeu o Brasil. Os ex-empregados da Petrobras Comércio Internacional S/A. - INTERBRAS lutam hoje para que lhes seja devolvida a diginidade e credibilidade profissional. Agora, defedem a restituição de seus empregos, na Petrobras junto ao Governo Federal.